O único partido que não tem nada a perder nas próximas eleições é o PCP. Ou CDU vá. Todos os outros têm mais a perder do que a ganhar. O PS e o PSD perdem mesmo que ganhem, a não ser que o façam com maioria absoluta. O eleitorado do CDS e do BE é demasiado "mobilizável" pelo PSD e PS respectivamente, o que no apelo ao "voto útil" rouba cadeiras na AR aos primeiros. Ou seja, a única hipótese destes dois é a coligação, com um dos grandes - o que o futebol já provou ser má ideia-, o que significa imediatamente abdicar dos princípios, dos ideais e das promessas eleitorais. O PCP tem uma base eleitoral, que embora curta, é sólida. Tem os mesmos lugares garantidos, logo não precisa de favores alheios. Ou pelo menos não precisa tanto deles. Ora quanto menos favores recebemos para chegar ao poder, menos temos de pagar quando lá chegarmos. O óbvio: bom, bom, bom, era a criação de movimentos cívicos apartidários que pudessem concorrer nas legislativas. Ou no mínimo que tivessem o poder de virar eleições num determinado sentido. Criar algo como o lobby das pessoas, das populações, do povo, é escolherem o nome. Há os dos construtores, do futebol, da justiça, dos boys, das girls, da justiça, das farmaceuticas, etc. Era fixe haver o lobby que representasse o interesse colectivo. Devia ser o Estado, eu sei, mas o poder Executivo do Estado pertence ao Governo. O Governo é um partido. Que tem uma estrutura a ser recompensada aquando da chegada ao Poder. Os Partidos para serem eleitos têm de pedir favores. No Poder têm de pagar os favores, ergo, representam e defendem os interesses de quem os ajudou a chegar ao poleiro. E o pior. Mais importante que chegar ao Poder, é manter o Poder. São ainda favores maiores, retribuídos regiamente ao longo dos mandatos. Mas aos lobbies. Não aos eleitores.
Na falta disso, do tal lobby das pessoas, e recusando a escolha do menos mau, parece-me, nesta altura, que os únicos votos com interesse para a causa, nas próxima legislativas, serão os que escolherem PCP/CDU. Se fosse hoje era em quem votava. A ver se mudo de ideias.